A maioria deles também cultiva o “hobby” de mastigar objetos como pratos de comida, escovas e tapetes – o que significa que precisam ser vigiados constantemente. Segundo Anita, o habitat ideal para um Husky é o quintal, não o interior da casa. “Quando eles ficam do lado de fora, o máximo que podem fazer é cavar um túnel de três metros, como fizeram no meu jardim”, conta. Tais atitudes se multiplicam ao extremo em Huskies sem espaço e estímulos para se ocupar. Daí, ser o ideal passear com eles todos os dias, pelo menos meia hora, e dar chances para que se distraia sozinho.
Por último, é preciso lembrar que devido ao instinto de explorador e andarilho incansável, quem se arrisca a manter portões abertos ou muros baixos – com menos de 2,5 metros – na certa um dia acordará sem o cão. Passear com um Husky sem coleira ou bobear com a porta entreaberta nas entradas e saídas
de casa, com ele solto no jardim, também são situações contra-indicadas. Além do espírito curioso por novos horizontes, o Husky deixa o seu jeito travesso vir à tona e cria – o que é para ele – uma divertida brincadeira de fazer o dono correr atrás dele. “Certa vez saindo de um veterinário numa avenida em São Paulo, deixei a coleira de um dos meus Huskies, o Kiev, cair no chão”, lembra Anita. Kiev saiu feito uma bola, atravessando as ruas da cidade. Às vezes parava numa árvore, olhava marotamente para a dona, que corria em sua direção, esperava ela chegar bem perto e, pronto, iniciava uma nova disparada. “A brincadeira durou uns 3 quilômetros, até que consegui pegá-lo num “golpe” rápido, quando se aproximava da Marginal Pinheiros.” Histórias semelhantes envolvendo Huskies não são raras e se o proprietário não tiver sorte e resistência para acompanhar o ritmo desenfreado da raça, a coisa pode acabar mal. “O ideal, se possível, é ir de carro atrás dele”, fala a adestradora Maria Ernestina Souza Bastos que em outubro passou por uma situação dessas, quando foi na casa de uma cliente. Bastou que a porta se entreabrisse para o Husky aproveitar a fresta e iniciar sua correria. “Fui à caça dele de carro. Cada vez que ele parava, eu também parava”, conta. “O espertalhão queria mesmo era brincar, ele esperava eu abrir a porta, descer do carro, e desembestava feito um doido outra vez. Demorou cerca de meia hora, mas consegui capturá-lo.”
ENCANTOS
Essas coisas típicas da raça podem levar algumas pessoas ao desespero, mas outras se divertem e admiram a sua maneira travessa e – muitas vezes – até meio selvagem. A independência do Husky e a capacidade de resolver problemas por si mesmo, são apreciadas pelos fãs da raça. “Durante uma nevasca, com poucas condições de visibilidade, ele decide qual o melhor caminho a seguir e sabe como desviar de um abismo”, exemplifica Anita. “O Husky não depende tanto de nós quanto outras raças, não é submisso, tem personalidade própria.”
Para Kathleen, o maior prazer em ter um Husky é poder contar com um amigo de verdade, e não com um “escravo” que obedece cegamente e faz tudo o que o dono quer. “O Husky nos olha de frente, não com um ser inferior”, diz. Além disso, tem dignidade e exige respeito. “Se levar uma bronca não merecida, vai dar uma ‘gelada’ em quem fez a injustiça”, garante Donna. Mas isso não deve ser confundido com indiferença ao dono. “Quando volto para casa eles reconhecem o barulho do meu carro de longe com o motor desligado, e ficam me esperando no portão, abanando o rabo e uivando, todos juntos”, completa Vânia, que tem 13 Huskies. “Costumo desligar o motor para não perceberem a minha aproximação, mas é inútil.” Kathleen conta que uma vez, seus cães presenciaram uma queda de seu marido no meio da neve. “Imediatamente todos reagiram latindo, como se perguntassem se ele estava bem.”
A maneira diferente de se comunicar é outro atrativo. “Parece que ele conversa conosco quando responde com aqueles resmungos”, diz Cavalcante. Além dos “resmungos”, o Husky prefere uivar a latir – essa é outra característica que o aproxima dos lobos. Chuva, noites de lua-cheia, um pôr-de-sol avermelhado ou solidão são as ocasiões que mais o “inspiram”. Tem até quem pense que ele não late, o que não é verdade – só não é comum.
RELACIONAMENTOS
A docilidade irrestrita a todas as pessoas (inclusive estranhas) também encanta os admiradores. “Se recebo visitas, os meus cães pulam, abanam o rabo e até deitam no chão de barriga para cima para serem afagados”, conta Fabrício Renato Minuscoli, do Kazalimsky Kennel, em Porto Alegre. “Canso de ver desconhecidos passarem a mão nos meus cães do lado de fora do portão”, confirma Mariana Hoffmann, do Canil Bukharin, em Cruz Alta – RS. As crianças, mesmo quando os seus limites são ultrapassados, ele não morde nem ataca. “O máximo que faz é se retirar ou encerrar a brincadeira”, diz. A única recomendação é não deixar um Husky sozinho com crianças pequenas, ele costuma pular nas brincadeiras e pode machucá-las sem querer.
Embora ‘dócil com gente, o Husky não convive bem com outros animais ou cães. Ainda que o padrão da raça diga que não deve ser agressivo com outros cães, a maioria dos criadores afirma que Husky os considera como rivais com quem disputa a liderança. Essa tendência é mais forte entre os machos. Eles podem lutar até a morte. É difícil separá-los: água fria é encarada com ‘refresco’, e chamá-los simplesmente não adianta. “O jeito é entrar no corpo-a-corpo, arriscando levar uma mordida perdida”, diz Anita. Segundo a criadora, entre as fêmeas também existe liderança, mas a mais forte se impõe com atitudes dominantes como olhares profundos e rosnados. Já, em se tratando do convívio com outras raças, as fêmeas de Husky não aceitam outras fêmeas. Se essas forem de raças grande, brigarão; se forem pequenas, é possível que as “cace”.
Gatos, pássaros, roedores e outros bichinhos de estimação também são encarados como presas. Os Huskies os perseguem e os matam mesmo. “Uma vez vendi um filhote que foi para uma fazenda e vivia perseguindo uma ovelha; quando conseguiu atacá-la, o dono teve de intervir para evitar o fim da pobrezinha”, conta Minuscoli. “Em outra, levei um casal de Huskies para meu sítio, onde criava 30 frangos. Na primeira chance que tiveram, abriram a porta do galinheiro e mataram todos”, acrescenta. Anita teve experiência parecida com seus gatos. “Eles provocavam os Huskies em cima do muro, e os cães pulavam o dia inteiro até que conseguiam pegá-los pelo rabo. Não sobrou nenhum.”

3 comentários
margareth disse:
22 de maio de 2008 em 20:21 (UTC -3 )
entre em contato tenho interesse femea aonde posso ver ?
Maggie disse:
22 de maio de 2008 em 23:32 (UTC -3 )
Não tenho mais filhotes para doação, todos já foram doados.
claudia armada disse:
25 de agosto de 2008 em 13:48 (UTC -3 )
encontrei uma husky pura abandonada…é muito muito meiga mas já tenho uma cadela num apartamento e vai ser muito complicado manter as duas se a margareth quiser pode me contactar para o mail